Ser mãe é uma experiência intensa e única, marcada por amor, aprendizado e também por muitos desafios, que envolvem mudanças de prioridades e de rotina. Quando essa jornada se soma ao desejo (ou à necessidade) de continuar na carreira profissional, surgem dúvidas, inseguranças e uma grande necessidade de adaptação.
Não se trata apenas de conciliar agendas e compromissos, mas de alinhar sonhos, valores e expectativas em dois papéis que exigem presença, dedicação e energia.
A seguir, vamos explorar o retorno da mãe ao mercado de trabalho, os desafios dessa transição e estratégias para conciliar carreira e maternidade. Esperamos que este conteúdo ajude você nesse momento e sirva como apoio para retomar sua trajetória profissional.
Boa leitura!
Direitos das mães no retorno ao trabalho
A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) prevê uma série de direitos relacionados à maternidade, com foco na proteção da trabalhadora gestante e da mãe no pós-parto, garantindo segurança no retorno ao mercado de trabalho.
Essas medidas têm como objetivo assegurar que a mulher não seja prejudicada profissionalmente durante a gestação e no período inicial de cuidado com o bebê.
Entre os principais direitos estão a estabilidade no emprego, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto, exceto em casos de dispensa por justa causa (art. 482 da CLT), além da garantia de afastamento remunerado durante a licença-maternidade.
Mães lactantes também têm direito a intervalos para amamentação ou retirada de leite materno durante a jornada de trabalho, até que o bebê complete 6 meses, podendo esse período ser prorrogado mediante apresentação de atestado médico que comprove a necessidade.
O que é licença-maternidade?
A licença-maternidade é o período de afastamento do trabalho garantido pela CLT às mães que deram à luz ou adotaram uma criança, conforme previsto no artigo 392.
Mais do que um afastamento temporário, trata-se de um direito que permite à mãe se dedicar ao nascimento e aos primeiros cuidados com o bebê, incluindo o período de pós-parto. Além disso, conta com proteções legais que contribuem para a saúde e o bem-estar da mãe e da criança, bem como para a estabilidade da profissional.
Quem tem direito à licença-maternidade?
O benefício é destinado às trabalhadoras com carteira assinada (regime CLT) e também pode ser acessado por empreendedoras, profissionais autônomas e mulheres em situação de desemprego, desde que mantenham vínculo com o INSS e cumpram o período mínimo de contribuição exigido.
A licença-maternidade também é garantida a mães que adotaram crianças de até 12 anos ou a responsáveis que obtenham a guarda judicial para fins de adoção, assegurando o período necessário para os cuidados iniciais e a formação do vínculo com a criança.
Além disso, há outros casos específicos, como aborto não criminoso e natimorto, que também garantem o afastamento pela licença-maternidade.
Quanto tempo dura a licença-maternidade?
A licença-maternidade tem duração de 120 dias, podendo ser estendida para até 180 dias em empresas que participam do Programa Empresa Cidadã. Em casos de internação hospitalar prolongada, seja da mãe ou do bebê, o benefício também pode ser prorrogado.
Durante esse tempo, a profissional permanece afastada de suas atividades, recebendo seu salário normalmente, com o objetivo de se dedicar aos cuidados com o recém-nascido e à sua recuperação pós-parto.
Esse período pode parecer curto para muitas mães, especialmente diante das mudanças físicas, emocionais e da nova rotina com o bebê. Por isso, o retorno ao trabalho costuma ser um dos momentos mais sensíveis dessa jornada.
Principais desafios das mães no mercado de trabalho
A mulher que é mãe e profissional costuma viver uma dualidade: o amor e o cuidado com os filhos versus as metas, os prazos e os desafios do trabalho. Muitas vezes, essa realidade vem acompanhada de culpa por não estar com o filho o tempo todo ou por não conseguir se dedicar ao trabalho como antes da maternidade.
A cobrança constante, seja interna ou externa, gera sobrecarga física e emocional, além de afetar diretamente a autoestima e a saúde mental das mães.
No entanto, o impacto na carreira vai muito além desse sentimento. Segundo pesquisa da FESA Group, 59% das mães brasileiras têm suas carreiras impactadas após a maternidade, lidando com redução salarial, menos chances de promoção e períodos mais longos de afastamento das atividades, além de enfrentarem obstáculos no retorno ao mercado de trabalho.
Diante desse cenário, conciliar maternidade e vida profissional exige não apenas organização pessoal, mas também o apoio das empresas, valorizando cada vez mais a diversidade de realidades no ambiente de trabalho.
Principais impactos da maternidade na carreira
Entre os principais impactos da maternidade na carreira, podemos citar a dificuldade de receber promoções, já que pesquisas apontam que 54% das profissionais não são promovidas após se tornarem mães. Também se destacam as lacunas no currículo decorrentes das pausas na carreira, que podem influenciar negativamente processos seletivos futuros, além da redução da jornada de trabalho e, em alguns casos, da remuneração.
Mas nem tudo são impactos negativos. As profissionais que vivenciam a maternidade também desenvolvem habilidades importantes para o mercado de trabalho, que podem ser aplicadas no dia a dia das empresas, como gestão do tempo, organização, atenção aos detalhes e resiliência, entre outras.
Como é o retorno após a licença-maternidade?
O retorno ao trabalho após a licença-maternidade envolve não apenas a retomada das atividades profissionais, mas também um importante processo de adaptação emocional. Esse momento costuma ser marcado por sentimentos como a saudade e o desejo de estar com o filho, ao mesmo tempo em que surge a vontade de retomar a carreira e continuar evoluindo profissionalmente.
É comum que, ao voltar às atividades, a mulher sinta uma perda de ritmo, como se estivesse recomeçando. Isso pode acontecer por diversos fatores que vão além da maternidade, como mudanças na equipe, novos processos e a própria evolução do trabalho durante o período de afastamento.
Em casos de afastamentos mais longos, como quando a mãe opta por permanecer mais tempo com o filho nos primeiros anos de vida, a insegurança pode ser ainda maior, especialmente devido às lacunas no currículo e ao distanciamento do mercado de trabalho. Esse sentimento não deve impedir que a profissional continue sua busca por recolocação, já que, mesmo afastada, a maternidade também traz aprendizados valiosos para a jornada profissional, como organização, gestão do tempo, resiliência e capacidade de priorização.
Reconhecer essas habilidades e saber comunicá-las de forma estratégica, seja no dia a dia, no currículo ou em entrevistas de emprego, pode fazer toda a diferença no reposicionamento profissional. Mais do que retomar a carreira, esse momento pode representar uma nova fase, com mais clareza de prioridades e fortalecimento de competências.
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Como conciliar maternidade e carreira profissional?
O retorno à vida profissional após a maternidade precisa ser planejado para equilibrar as demandas do trabalho com a rotina em casa. Pensando nisso, reunimos algumas dicas que podem ajudar a tornar esse processo mais leve e organizado.
Aceite seus limites
Nem tudo será perfeito, e tudo bem. Entenda o que é prioridade no momento e aceite que algumas áreas vão exigir mais atenção do que outras. Ter clareza sobre o que realmente importa ajuda a reduzir a cobrança e a lidar melhor com os desafios.
Tenha uma rede de apoio
Contar com uma rede de apoio é essencial para equilibrar o retorno ao trabalho. Familiares, amigos e o(a) parceiro(a) podem ajudar tanto no cuidado com a criança quanto nas tarefas do dia a dia.
Além disso, considerar opções como creche ou babá pode trazer mais previsibilidade à rotina. A divisão de responsabilidades em casa também é fundamental para reduzir a sobrecarga e garantir mais equilíbrio emocional.
Negocie condições de trabalho
Sempre que possível, converse com a empresa sobre horários flexíveis, carga horária reduzida ou dias de home office. Esse alinhamento pode facilitar a adaptação e contribuir para manter a produtividade sem comprometer o bem-estar.
Planeje e organize a rotina
Use agendas, aplicativos ou planners para organizar tarefas, compromissos e momentos com a família. Visualizar a rotina ajuda a evitar sobrecargas e permite distribuir melhor o tempo ao longo da semana.
Cuide da sua saúde
Reserve momentos para descanso e autocuidado. Cuidar da saúde física e emocional impacta diretamente sua disposição e a forma como você enfrenta os desafios da maternidade e do trabalho.
Invista em aprendizado contínuo
Buscar atualização após um período afastada pode aumentar a confiança e abrir novas oportunidades. Cursos, mentorias, workshops e leituras são formas práticas de se manter ativa e desenvolver habilidades importantes.
Celebre suas conquistas
A maternidade e a carreira são feitas de pequenas vitórias. Reconhecer cada avanço, seja um relatório entregue ou uma noite bem dormida, é fundamental para manter a motivação e seguir evoluindo no dia a dia.
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Maternidade e sucesso profissional caminham juntos
É possível, sim, ser uma excelente mãe e uma profissional bem-sucedida. Não existe uma fórmula mágica, mas, com planejamento, apoio e resiliência, é possível encontrar um equilíbrio saudável.
A maternidade não precisa ser um obstáculo para a carreira. Pelo contrário, pode ser uma grande fonte de força, coragem, empatia e inspiração para o crescimento pessoal e profissional.
Conciliar maternidade e carreira é uma jornada desafiadora, mas também profundamente transformadora. É nesse processo que muitas mulheres descobrem novas habilidades, redefinem prioridades e conquistam realizações antes inimagináveis.
Se você é mãe e está enfrentando esse dilema, saiba que não está sozinha. Compartilhar experiências, trocar ideias, buscar ajuda e se permitir errar são atitudes poderosas. É nesse movimento de acolhimento e conexão que nasce a força para transformar o dia a dia em uma trajetória de conquistas e significado.
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